quinta-feira, 14 de maio de 2020

Duofel entrevista inédita!!!


Duofel entrevista inédita!!!


Fernando Melo e Luis Bueno


Este é um trecho da entrevista concedida ao programa Bê a Bá da MPB (1996) para a Rádio Onze.


Produzido e apresentado por Silvia Morello e Moacir Oliveira 

Luis Bueno: Bom dia, ouvintes aqui da Onze! Aqui estamos, eu adorei saber que a rádio se chama Onze, onze que é meu número da sorte, hoje acordei às 11 então, está tudo certo!

Moacir: começamos ouvindo a música "Reggae por nós", música  do disco as Cores do Brasil, que é o primeiro disco?


Luis Bueno:  O primeiro disco, foi gravado em 1990, e tem uma história bárbara porque em 87 nós fizemos um disco com duas músicas, uma produção independente tentando com esse disco chegar numa gravadora. E até  89 isso não tinha ocorrido, estava muito difícil, os discos que nós  produzimos, vendemos todos e recuperamos o dinheiro, mas não o suficiente para gravar outro.

Então, decidimos terminar o Duo, vamos terminar esse Duo e vamos fazer cada um seu trabalho.


Coincidentemente, nós tivemos um convite da Tetê Espindola e do Arrigo Barnabé para irmos  acompanhá-los à Europa em alguns shows, em festivais de jazz.


E quando foi na Bélgica, em Bruxelas, teve show do Arrigo, depois o da Tetê,no intervalo entre um show e outro, na troca, nós fazíamos um número de instrumental.


Terminada a nossa apresentação, recebemos  o convite para gravar o primeiro disco na Europa, numa gravadora chamada Line Music, da Alemanha.


Na verdade, o que foi a data que estava definida para o Duofel morrer, ele renasceu.


O disco foi lançado na Europa e relançado agora  no Brasil em 95 pela Gravadora Vela, chama-se Cores do brasil.



segunda-feira, 4 de maio de 2020

Aldir Blanc o poeta da Vida!!!




"O Brasil tá matando o Brasil"
Aldir Blanc,profetizou nosso futuro quando nos falava de um país que sucumbia à ditadura.
O Brasil de hoje,infectado por um inimigo invisível um vírus e um outro vírus ainda pior o da ignorância.
Aldir,foi vitima do que há de pior,à péssima condição de nossa saúde pública, à deriva há muitas décadas,independente de pandemias.
Aldir, nos deixa num momento que com certeza nos é muito caro,depois de tantas lutas pela democracia ( lutas estas que teve em sua vida e obra, um papel relevante),ameaçada por um presidente que desrespeita e põe a baixo,tudo que construímos.
Mas,sua luta,nossa luta não é inglória,sua obra será eternamente lembrada em nossa história.
E quando mais uma vez vencermos a demência,a milicia a opressão e reinventarmos nossos sonhos, cantaremos um samba seu.
"O Brasil S.O.S o Brasil






domingo, 3 de maio de 2020



                      35 anos da morte de Tancredo Neves

No ultimo 21 de abril,completamos 35 anos da morte de Tancredo Neves .
Diante de tantas noticias, de nosso difícil momento, com toda a imprensa,voltada para às noticias sobre:pandemia de Corona- Vírus e às constantes declarações estapafúrdias do atual presidente,este momento histórico,passou despercebido. 

O movimento pelas diretas em 1984 que levou milhares de manifestantes para às ruas,não foi suficiente para aprovar a emenda Dante de Oliveira,que foi rejeitada pelo congresso.
Assim, às eleições de Janeiro de 1985 ,Tancredo x Paulo Maluf  foram no Colégio Eleitoral.


Em entrevista inédita que fiz com Gilberto Gil em 20 de Abril de 1985,falamos sobre eleições diretas e a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral.
Em 21 de abril,faleceu Tancredo Neves, causando uma comoção nacional.
 José Sarnei,vice presidente, assumi e inicia a Nova Republica

Acesse parte desta entrevista no  link


terça-feira, 22 de agosto de 2017




Para quem ainda não sabe, o dia 23 de abril foi escolhido como o Dia Nacional do Choro numa justíssima homenagem a data de nascimento de Alfredo da Rocha Viana Filho – PIXINGUINHA – o maior chorão de todos os tempos.

O crítico e musicólogo Ary Vasconcelos sintetiza o grau de importância de Pixinguinha, assim:


“Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas, se dispõe apenas de um espaço de uma palavra, nem tudo está perdido; escreva depressa: “PIXINGUINHA”.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Leo Brouwer e Egberto Gismonti



A convite de meu irmão,Gismontiano de carteirinha,pois tem todos os vinis do Egberto.Fui sábado ao concerto do Festival em homenagem ao compositor cubano Leo Brouwer .
Magníficas apresentações,mas a participação especial de Egberto Gismonti,foi maravilhosa.

Criatividade e virtuosismo,são as duas grandes marcas da obra de Egberto .Me impressiono com sua musicalidade desde o inicio dos anos 80,quando fui vê-lo com seu grupo, no Municipal de São Paulo,a apresentação foi tão concorrida que muitos entraram escalando as paredes do teatro.

Egberto e Academia de Dança,grupo capitaneado por ele,era formado por Robertinho Silva,bateria,Luis Alves,contra-baixo e Mauro Senise,sopros.Era incrível a sinergia dos músicos e evidente o prazer que eles tinham de executar a rica obra Gismontiana.

Durante vários anos ouvi toda obra em vinil e em varias apresentações ao vivo.E nunca deixei de ter o sabor da novidade,mesmo quando tocava músicas que eu já conhecia.

No concerto deste sábado,Egberto tocou violas,executou suas composições em 40 inesquecíveis minutos.Improvisando à cada tema revelou ali para os que não o conhecia, sua arte cheia de influencias.

Em determinado momento fez o que diz Elomar, sobre um violeiro: “Enforcou o pescoço da viola e revirou a moda pelo avesso”.Passou por temas da viola caipira,resvalou pela bossa nova e chegou ao samba com tanta maestria que parecia até uma bateria desfilando na avenida.

Egberto dedicou sua apresentação a Leo Brouwer :

“A vida tem sido muito benevolente comigo e sinto benevoelencia ainda maior por ser amigo do Leo.
Independente, das músicas que eu tocar,todas elas serão dedicadas a ele.Pois este é o motivo de eu estar aqui.”

Sem duvida, Leo Brouwer é um dos violonistas e compositores contemporâneos, mais respeitado mundialmente e por isso mereceu este festival.

Eu já conhecia, alguns de seus estudos na interpretação de Zé Ito,clarinete e Gilberto Marçal,violão. Eram fundos musicais, para poemas em sarais,apresentados pelo Grupo Preto,branco e azul também,do qual fiz parte.

Os outros interpretes da noite eu não conhecia,mas foram perfeitas as interpretações de Eduardo Meirinhos e Gustavo Costa ,dos Estudos de Villa-Lobos.

E o Quarteto Entrequatre, surpreendeu a todos pela criatividade dos arranjos e o ineditismo do repertório.


Programa:
Dança das Cordas

HEITOR VILLA-LOBOS
Prelúdios nº 1 e 5
Estudos nº. 1, 5, 8 e 11
• Eduardo Meirinhos, violão

Prelúdios nº. 2 e 4
Estudos nº. 3, 6, 9 e 10

• Gustavo Costa
Violão

FLORES CHAVIANO (Cuba/España 1946)
Entrequatre* (1984)

EMILIANO PARDO (Panamá 1960)
La Tierra del Chucuchuco* (2007) – 1ª audição no Brasil
(Variaciones sobre el Guararé)

LEO BROUWER
Paisaje Cubano con Lluvia (1984)

MIGUEL DEL ÁGUILA (Uruguay 1957)
Presto* (2000)

EntreQuatre (Espanha)
* Obras escritas para o EntreQuatre

Carlos Cuanda, Carmen Cuello, Manuel Paz, Jesus Prieto

EGBERTO GISMONTI
https://www.youtube.com/watch?v=6-0mnCRLBMo


Egberto Gismonti, violão

segunda-feira, 7 de maio de 2012




“Não, não quero mais brincar de sol e chuva com você ...”




Estávamos indo de carona, no Passat verde 75, do Krapula, (responsável por horas e horas de Rock.) . Durante o trajeto até minha casa ele colocou uma fita pra tocar,e logo nos primeiros acordes já queríamos saber de quem era aquele som. “Calma” nos pediu krapula. Queria que ouvíssemos mais um pouco.

Era um disco ao vivo e a cada faixa uma surpresa,era um misto de Rock , Baião e Repente.Tudo muito bem misturado,com guitarra,viola,flauta,baixo e bateria e um vocal com sotaque nordestino, num ritmo alucinante.

E nós novamente: Que som é esse? "Alceu Valença”.finalmente respondeu Krapula. Mauro de imediato sentenciou: “Puta Som”.

A primeira vez que e vi e ouvi Alceu, fora no Festival Abertura em 1975,quando defendeu a música “Vou danado pra Catende” parafraseando, versos de Ascenso Ferreira,autor do poema, “Trem”,dos anos 30, criado para apoiar à campanha presidencial de João Pessoa,no qual tem o verso: “Vou danado pro Catete,Vou danado pro Catete com vontade de chegar”.(Um claro apoio para o político nordestino chegar ao Palácio do Catete,então sede do Governo Federal. No Rio de Janeiro). Na letra de Alceu, composta 40 anos depois ele propõe o caminho inverso:”Vou danado pra Catende,Vou danado pra Catende com vontade de chegar’.Alusão à cidade pernambucana.

Outra lembrança que guardara da figura de Alceu, fora de uma propaganda do disco de Alceu Valença ao vivo, vinculada na Rede Globo. E esse era o som da fita.

Na mesma semana, corri as lojas de disco do centro até encontrar o LP “Alceu Valença Vivo”.Gravado no Teatro Tereza Raquel,no Rio de Janeiro em 1976. Acompanhado de Paulo Rafael, guitarra,Zé da Flauta, flauta transversal ,Zé Ramalho da Paraíba,viola de doze cordas e vocal,Israel,bateria e percussão,Agricio Noya, percussão e Dicinho,baixo.

Música, inventiva, cheia de referencias de cantores das feiras de Pernambuco,alia da onde vinha a banda ,menos Zé Ramalho da Paraíba.



Alceu, mais parecia uma atração circense, no palco, onde tive a oportunidade de vê-lo varias vezes,tinha uma performance incomparável, lembrava cantores das bandas de rock,correndo por todo o palco,pulando ou dançado um forro arrochado, com uma Nega de pano, de seu tamanho que ele apresentava ao som de “Vem morena pro meu lado,vem morena vem dançar”. As letras surpreendentes além das suas próprias as de compositores populares do nordeste..



Alceu, trazia um baú cheio de cores da cultura popular pernambucana,cantava .Jakson do Pandeiro e revestia os frevos e maracatus,repentes e emboladas,com um rock pesado.

Em “Papagaio do Futuro”, numa visão: “ pré-globalizada” denunciava a poluição , previa as grandes viagens espaciais e modernizava o tema : “Vem gente lá de São Paulo,que dizer que é Paulistano,Vem gente das Alagoas,que dizer Alagoano,Vem gente de Pernambuco e quer dizer Pernambucano.Vamos visitar a lua num foguete americano.” Reinventado o refrão de “Corintiano” letra de Sebastião do Rojão,que fora sucesso nos forros lá de casa.

Alceu, sempre teve a frente de seu tempo, sempre misturou, baião e blues. Abriu nossa visão regionalista:Rio,São Paulo, para vislumbrarmos um mundo que não conhecíamos

Um som que não ouvíamos: a dança dos Mamulengos, os becos de Olinda,as ruas e pontes de Recife os frevos de Capiba. Descobrimos com sua música outros brasis.

Dali foi só um passo pra chegarmos à Zé Ramalho, Geraldo Azevedo,Amelinha e a novíssima:Elba Ramalho,que em um dos primeiros shows solos de Zé Ramalho em São Paulo no teatro Nidia Licie, assistia seu primo da platéia e foi convidada a cantar.Surpreendente.

A música do Quinteto Violado e a música instrumental da Orquestra e do Quinteto Armorial , também vieram a reboque, neste foguete agalopado, pilotado por Alceu Valença.

Moacir Oliveira








sexta-feira, 23 de abril de 2010




Ontem, estive na casa do Mário para escolher as fotos que ilustrarão o livro sobre música bresileira que estou escrevendo,foi um encontro de muita emoção para mim. Durante mais de 20 anos encontrei com o grande fotógrafo em centenas de shows,e sempre imaginei que trabalhariamos juntos,acho que chegou à hora.

Mário Astral - O Fotógrafo da Deusa Música
Mário Luiz Thompson é “o” fotógrafo da música popular brasileira. Desde o inicio dos anos 70, quando começou sua carreira, nenhum outro fotografou com tanta assiduidade os nossos músicos como ele. Assim, Mário foi construindo o maior acervo particular de fotos de músicos do Brasil. E, importante, foi fazendo isso sozinho, por iniciativa própria, sem jamais ter trabalhado em nenhum jornal, revista ou gravadora do pais. Por puro amor a arte da MPB, portanto. E por essa razão que, por seu esforço, dedicação e entusiasmo, ele é chamado de “devoto da deusa música”. Na justa e feliz expressão criada por Gilberto Gil, aliás, música é o tema de centenas de super 8 e vídeos que Mário dirigiu e fez câmera e são exibidos em suas exposições fotográficas.

O acervo ultrapassa hoje a marca dos cem mil fotos, chegou a ter mais de 400 mil fotos, não incluindo somente ou principalmente, as estrelas maiores de nossa galáxia musical, mas todos, generosamente todos os tipos de artistas que de qualidade a compõem: de cantores e compositores a instrumentistas, letristas, maestros e arranjadores dos mais variados gêneros. É o que faz desta uma das mais valiosas e significativa coleções de fotos da MPB, o mais vasto e abrangente acervo do pais, cuja memória visual já tem, desse modo, futuro garantido. Aliando quantidade, qualidade e intensidade, os registros de Mário, reunidos, constituem-se num legado cultural único para a atual e as próximas gerações. Sendo necessário para isso a sua especifica preservação e manutenção que é muito onerosa. Mário sempre divulga a necessidade de que contribuições sejam com esta finalidade feitas pelo poder publico ou iniciativa privada.


O RECONHECIMENTO DOS ARTISTAS

O acervo resulta, na verdade, de um longo e profundo envolvimento com a MPB, essa grande entidade que Mário vem acompanhando com um interesse incomum nos últimos trinta anos, atento aos principais lances de sua intensa produção e de sua fascinante trajetória. Alguns de seus representantes - entre eles grandes figuras com as quais ele tem convivido durante esse tempo - que o digam. E eles o dizem de João Gilberto a Arnaldo Antunes. De Milton Nascimento a Rita Lee, de Fagner a Moraes Moreira, de Alceu Valença a Dorival Caymmi, todos expressam com palavras seu reconhecimento do valor de Mário Luiz Thompson como fotografo de música.

Caetano Veloso, por exemplo. “Uma das presenças mais constantes nesses anos de intensa criação de música popular no Brasil tem sido a de Mário Luiz, menino e artista”.

Duas coisas podem ser igualmente belas e de grande beleza: uma fotografia feita por Mário e Mário fotografando. Ele é fotógrafo mágico. Nós o apelidamos de Mário astral no inicio dos setenta e agora eu quero chamá-lo de fotografo mágico. Cada foto dele tem ao mesmo tempo a instantânea força zen e a longa conversa sem fim da lenda. Eu o adoro e adoro o que sai nas fotos que ele tira. Espero que isto seja para muita, muita, muita gente.

Gilberto Gil por sua vez foi um dos responsáveis pelo apelido de Mário Astral que ele (chamado também de Mário Zen) ganhou ainda nos anos 70. “Mário Luiz tem sido um dos devoto mais zelosos e dedicados da deusa música. Aqui no Brasil (em São Paulo, Salvador, onde for) os espetáculos de música mais interessantes vem sendo presenciados, curtidos e fotografados por Mário, desde os primeiros anos da década de setenta, com uma assiduidade que tem nos espantado a todos. Não é raro ouvir comentários acerca da surpreendente mobilidade do Mário Luiz, fotografando João Gilberto um dia em Salvador e a Clementina de Jesus no dia seguinte em Belo Horizonte, como se houvessem o Mário e três ou quatro filiais com a mesma agilidade, delicadeza e o sorriso doce e a conversa longa e pausada. Ele é visto sempre bem vindo; sempre bem vendo. Bem te vi, bem te vejo, bem te verei ainda muitas vezes a me fotografar quando canto por ai, oh querido Mário Luiz”.
Até o guitarrista americano Pat Metheny lascou elogios às suas fotos (aproveitando para usar algumas na capa do disco Letter From Home, assinalando: “Elas me inspiram a fazer música)”.

PRESENCIANDO OS LANCES HISTÓRICOS DA MPB

Natural de São Paulo, onde continua morando na mesma casa em que nasceu, no bairro do Brooklin há 54 anos. Sua casa é praticamente um centro cultural alternativo em atividade 24 horas por dia, onde fotos, vídeos, super 8, discos (inclusive 78 rotações), instrumentos musicais entre eles o piano, partituras, revistas, esculturas, cursos, Tertúlias. Uma mini galeria, estão à disposição dos freqüentadores. Duas assistentes trabalham de dia e uma à noite, na manutenção e recuperação e edição do acervo e no cotidiano do Studio que esta em plena atividade. Mário começou a fotografar já na infância. Mas antes de se decidir pela fotografia se formou em cinco faculdades: jornalismo, direito, cinema, publicidade e propaganda, relações públicas. Fez cursos de marketing, turismo, televisão e folclore. Foi repórter de texto da “Veja” no primeiro ano de existência da revista em 68. Depois teve uma rápida passagem pelo cinema , como assistente de direção e produção, indo em seguida para o departamento comercial da Rede Globo, onde ficou três anos, como contato, na área de marketing. Em 1959 então com 14 anos deu longa e lúcida entrevista falando da enorme votação do cacareco, rinoceronte do zoológico, jornal da época - dizia “vocês devem marcar seu nome. Sabe discernir muito mais do que certos adultos”. Aos poucos Mário foi intensificando sua presença - quando não sua participação mesmo - nos fervilhantes acontecimentos culturais (os musicais em especial) do período. Em 68 por ( foi presidente do centro acadêmico Humanidades e Comunicações), por exemplo, foi um dos lideres estudantis que aplaudiu ( ao contrário da maioria, que vaiou) Caetano Veloso cantando “É Proibido Proibir”, no Tuca, no famoso festival da canção em que o artista respondeu irado às provocações da platéia, sendo desclassificado.

A admiração nutrida pelo baiano, sempre acompanhado de perto, já era grande. Pouco antes o grupo tinha se apresentado no Som de Cristal, também em São Paulo, numa histórica noite para os tropicalistas: aquela em que Vicente Celestino morreu no Táxi Avenida, Mário estava lá. Esteve também no show de Caetano Veloso e Gil, o último que eles fizeram no Brasil antes de partirem para o exílio, o “Barra 69”, em Salvador, quando Gil termina cantando “aquele abraço” no Teatro Castro Alves.
Assistiu o 1º show de Gilberto Gil em São Paulo no João Sebastião Bar, estava na 1ª apresentação de Elis Regina em São Paulo no teatro Paramount, Assistiu ainda todos os festivais inclusive Geraldo Vandré com Disparada e Chico Buarque de Holanda com a Banda.

Fotografou o 1º show de Raul Seixas e o 1º show de João Gilberto ao voltar ao Brasil depois de 18 anos em Nova York. Aquele em que Vinicius de Moraes apresentou no teatro Castro Alves em Salvador. No último carnaval foi o fotografo oficial do Trio Tropicália como o é também do Trio Elétrico Armandinho Dodo e Osmar. Em Minas esteve fotografando a inauguração da praça travessia em 3 pontas com Milton Nascimento e seus familiares, esteve com Almir Sater no Pantanal com Ednardo em Canoa Quebrada com Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo em Olinda, no Estácio com Luiz Melodia, em Porto Seguro e Arraial D “Ajuda com O Terço em Roma com João Gilberto, Dorival Caymmi, Gal e Caetano e com Gilberto Gil viajou todas as capitais do País. Com o Show”Luar”, 1981, quando montou a exposição “Bem Te Vi Gilberto Gil” em algumas capitais, é quando começa a fazer vídeos dando continuidade nos festivais de Águas Claras interior de São Paulo. Fotografou alguns festivais de Campos de Jordão e Ouro Preto e ainda os carnavais de Salvador, Olinda, Rio e São Paulo. Nos anos 70. Retratou também espetáculos de dança e teatro em São Paulo.


CONVIVENDO COM FIGURAS LENDÁRIAS

Em 72, Mário também viajou para a Europa e os Estados Unidos; em Nova York, comprou seu primeiro equipamento fotográfico de nível profissional e assistiu ao último show de John Lennon, ocorrido no Madison Square Garden. de volta, no auge do hippismo no Brasil, frequentou o lendário sítio dos Novos Baianos, em Jacarepaguá, no Rio. E na praia de Arembepe, em Salvador, conviveu com ninguém menos que Janis Joplin, que ele relembra até hoje cantando, às vezes à capela, sob os coqueiros, em memoráveis “Luaus” à beira-mar. Outros artistas de cuja amizade e companhia ele viria então a compartilhar foram Walter Smetak, o músico, inventor e guru baiano, (Mário era o único não-músico a freqüentá-lo), e Raul Seixas; que costumava visitar o fotografo na casa dele. Esteve em aldeias indígenas no Araguaia (Carajás e tapirapés). onde desejou ficar. Corriam os alternativos anos 70, fase também de muitas experiências esotéricas, espirituais e alternativas que Mário viveu em São Lourenço, Minas Gerais e Mar Grande. Em 72 também esteve com Glauber Rocha em Berlim, com Gilberto Gil em Londres e com Hélio Oiticica em Nova York.

CAPAS DE DISCOS ANTOLÓGICOS

Ele já vinha então fotografando intérpretes e instrumentistas havia algum tempo. Não tardaria muito a começar a fazer fotos para capas de Discos. As primeiras foram para Gal Costa. Mário tinha ido fotografar o show da cantora, e a chamou em sua casa para ver o que tinha feito. A baiana se amarrou, e os filmes viraram as fotos internas do álbum que ela preparava: “Índia”.

Dali para frente essa atividade proliferou a ponto de, hoje, fotos suas terem já sido aproveitadas em cerca de cem capas. Exemplos? As de “Gilberto Gil ao Vivo”. “Refavela” e “Diadorim Noite Néon”, para Gil. Para Jorge Ben, as de “10 anos” e “tábuas de Esmeralda”. Vinicius e Toquinho, Alceu Valença “Vivo”. E para João Gilberto, a do CD “Eu Sei que vou Te Amar”, uma das mais recentes. Sempre procurou acompanhar os trabalhos novos que é quando sua contribuição se faz mais necessária, tendo por diversas vezes feito as 1ª capas de discos de compositores hoje consagrados.
Mario gosta muito de uma frase de Gil: “Existem várias maneiras de se fazer música e eu prefiro todas”


¨BRASIL TERRA E GENTE¨

Bem Te Vi, a sintética e singela imagem encontrada por Mário para abarcar as duas artes que abraçou - uma para efetivamente, outra como objeto do exercício da primeira - serve de marca também para um outro livro em preparação, com material reunido sob um outro tema caro ao fotógrafo. Trata-se de “Bem Te Vi Brasil Terra e Gente”, fruto de suas tantas andanças pelos mais recônditos pontos do país.
Regiões como pantanal, Araguaia, Amazônia estão ali retratadas e aldeias como Canoa Quebrada, Trancoso e Arembepe em que Mário foi um dos primeiros a chegar quando as aldeias eram habitadas apenas por nativos. O livro apresentará 145 postais da terra e da gente brasileira, poeticamente ilustrados por breves trechos de obras de notáveis da cultura do país.
instantâneos, não do Brasil imediatamente identificável do cartão postal, mas do Brasil lírico, lúdico, singelo, mágico e poético, de faceta menos óbvia e mais surpreendente
mariothompson.blogspot.com